Músicas que Falam do Axé: Martinho da Vila – Quem me Guia

Vou começar postar algumas músicas conhecidas (ou não) que falam sobre o axé, pra começar trago esta maravilhosa canção de Martinho da Vila, chamada: Quem me Guia, a canção fala sobre Zé Pelintra e a letra está logo abaixo do vídeo:

Martinho da Vila – Quem me guia
Quem me guia, quem te guia
Alumia a razão de todos nós
O Zé, deixa estar no candeeiro
Que o terreiro está
Iluminado pela Lua
Pela Lua Zé, pela Lua
Pela Lua, Seu José, pela Lua
A estrela que borda no céu
É que nos guia
A alumia a razão de todos nós
Me da o meu chapéu de palha
Meu borná, meu samburá
Que eu quero caminhar
Nessa longa estrada
Prateada, Zé, perfumada
Prateada, Seu José, perfumada
O cheiro de alecrim
Me deixou apaixonado
Dos pirilampos sou eterno enamorado
Enamorado, enamorado
Dos pirilampos sou eterno enamorado
Quem me guia…
O cantar da passarada
Ela guia
A escuridão da madrugada
Alumia
Lá no campo a vaquejada
Ela guia
E toda relva verdejada
Alumia
E o cantar da criançada
Ela guia e alumia
E alumia a razão de todos nós
Quem me guia

Salve meu pai Zé Pelintra!

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Maria Padilha

Há alguns anos atrás, quando a Umbanda e a Quimbanda ainda eram apenas um suspiro em minha vida e meu contato com a espiritualidade se resumia nos estudos das artes ocultas, aconteceu algo em minha vida que me marcou muito, mas que eu só conseguiria compreender bons anos depois…

Quando jovens e ainda sem idade pra beber legalmente, toda oportunidade pra cometer este “pecado” se torna irrecusável! rsrs e foi assim, que numa bela noite de quinta-feira, sai pra beber com uma amiga. Após poucas doses, afinal, carregava a missão de levar a nobre dama de volta a sua morada, decidimos ir embora e assim fui acompanhá-la até seu destino.

Após acompanhar a dama, ao chegar em sua morada e me despedir, ela me avisa que não devia passar por certa rua pois uma velha senhora havia falecido em uma casa ali por perto e havia relatos que ela estava “aparecendo” para os transeuntes, como todo bom estudante do Oculto, fiquei todo curioso rsrssrrs mas por algum motivo desconhecido, resolvi passar por outro caminho.

Seguindo por este caminho, iluminado principalmente pela luz do luar, avisto de longe uma mulher que caminhava pela rua, o que já me causou certa estranheza… quando ela se aproximou um pouco mais notei que ela se vestia diferente, não consigo me lembrar, mas não eram roupas comuns de nosso tempo, ao se aproximar ainda mais, vi que também estava muito bem maquiada e: Era Linda! LINDA!Uma Morena maravilhosa! E ao cruzar com seu olhar, senti um leve arrepio na nuca. Que mulher linda, de onde será que ela vinha vestida e maquiada assim? Porque me fez sentir diferente? Porque o arrepio?

Eu estava na calçada de um lado, enquanto ela caminhava pela rua do outro lado, quando já estava bem próxima de mim, ouço: “Boa noite moço…” aquilo me arrepiou o corpo inteiro, não sabia o porque! Dei boa noite e perguntei inocentemente se estava tudo bem, ouço como resposta: “O Moço devia tomar cuidado ao andar a noite por ai, é melhor ir pra casa…” disse-lhe que já estava indo e ela deu apenas um doce e leve sorriso e continuou sua caminhada.

Daquele momento em diante, me senti acompanhado por todo o caminho e estava até com receio de olhar pra trás e dar de cara com a tal “moça” rsrs mesmo após chegar em casa e comer alguma coisa, ainda sentia a tal presença!

Tudo isso foi estranho pra mim pois o axé era algo que apenas suspirava em minha vida, o contato que tinha era limitado por experiências de infância e juventude onde fatos meus e de próximos me levavam até o axé.

Então que só anos depois ao entrar pro axé e conhecendo o povo de exu, aquele “Boa Noite Moço” começou a fazer todo sentido do mundo! E Aquela estranha passagem em minha vida, se tornou com certeza a experiência mais mágica que já tive com a espiritualidade!

E ainda não sabia porque sempre que ouvia pontos de Padilha me sentia daquele jeito, porque minha coroa vibrava como um cristal que respondia quando uma nota de mesma vibração que a sua era entoada… mas era claro, eu era seu aparelho!

Tempos depois contando essa história pra um grande amigo, senti a presença de minha querida Maria Padilha e no mesmo momento um belo ponto me foi recordado: “Eu vinha caminhando pela alta madrugada, sob o clarão da lua ouvi uma gargalhada, linda morena formosa, me diga quem você é? Eu sou a Dona da Rosa! Maria Padilha de fé! Posso abrir qualquer gira, por ordens de Lucifér e num terreiro de Umbanda, só não me conhece quem não quer…” e foi quando esse ponto se ligou automaticamente aquela cena vivida anos atrás e passou a fazer todo sentido do mundo!

É isso que gostaria de compartilhar com os amigos, com lágrimas de alegria nos olhos que relato estes fatos e digo com o maior orgulho e carinho que sou aparelho desta maravilhosa Mulher! Agradeço pelo seu axé e por sempre ter respeitado meus limites como homem ao se manifestar e mesmo assim sempre ser tão farta em seu axé!

Maria Padilha é um dos 3 pilares que sustentaram minha vida e me fizeram ser quem sou, Minha Mãe, Minha Vó e Maria Padilha!

Michel d’Ogum, ou caso seja mais conveniente: Michel do Sete, Michel do Tranca e claro.. Michel de Maria Padilha!

Não precisa gostar, apenas nos respeite!

Respeite nossa crença!Quando se fala em respeito a nossa crença, falamos de algo muito simples mas que parece extremamente complexo para muitas pessoas: O Que pedimos é que não nos falte com respeito, não nos insulte, não nos julgue e nem nos condene apenas pelo que acreditamos! Não sejam preconceituosos, conheçam nossa crença antes de formar qualquer opinião sobre ela e lembrem-se do mais importante: Só quem faz parte pode falar. Afinal, quando você pergunta sobre uma doença pra uma pessoa que não seja um médico ou outro profissional da saúde, você não pode esperar uma resposta correta, não é mesmo?

Com nossa religião é a mesma coisa! Muitas pessoas insistem em querer dizer como é ou deixa de ser sem nunca ter colocado o pé num terreiro, sem nunca ter feito um padê a Exu, sem nunca ter tomado um banho de folha! Não da pra levar em consideração o que uma pessoa assim diz de nossos terreiros!

Quando ouvirem alguém falando alguma coisa sobre nossa crença, procure uma pessoa que seja um praticante sério, uma casa séria e questione os médiuns ou o próprio dirigente da casa sobre isso, essas são as melhores pessoas pra te informar! Não acreditem em tudo que ouvem pelas esquinas, falar qualquer um fala, viver e saber o que acontece de verdade, somente quem faz parte é que vai saber.

E se assim for de seu desejo: Visite um terreiro(uma casa séria, por favor! procure indicações antes se possível for) mas só o faça se o for de sua vontade! Nunca bateremos na porta de ninguém o convidando pra nossos toques, nós respeitamos sua crença seja qual ela for! Mas se um dia for de sua vontade: Visite! Tire suas próprias conclusões! Veja se o que encontrar na visita realmente bate com os comentários que ouviu.

Nossa crença respeita outros credos religiosos, o que não aceitamos é a intolerância religiosa, que é crime e quando for cometida, será tratada como o que é, CRIME!

Respeitar não dói e ainda gera muitas amizades bonitas, não precisamos acreditar nas mesmas coisas pra vivermos em paz e harmonia! Basta que cada um respeite seu espaço sem tentar se intrometer no do outro!